
Já há tempo sem tornar a vir, tanto. Que o tempo nos atrapalha e nos acomoda, nos sequestra de nós, e mal temos tempo para seguir nos odiando do jeito que sempre foi. E me sinto como daquela vez. Um corte abrupto, um golpe seco é este cérebro dilatando em compassados tremores, para dentro. Do avesso, nossas vísceras amargam o fel que outrora engolimos, passou anos entalado no meio da garganta. E digo, nós ainda dizemos.
E escolho. Meu lugar de esconder: escondo tão delicadamente nosso medo do suor, não o do trabalho e do esforço, mas do tremor que nos acomete sem ele. Escondo as camisas pretas que tanto sempre usamos e agora, depois de vozes se amarrando no meu pescoço, contorcendo aos poucos e me fazendo zunir, passaram elas a ser fruto de vergonha. Ostentamos o colorido que é pra nos punir. Tanto...
Do que dizia que eu era, e acreditava mesmo ser, e dizia continuar a ser. O que queria ser, o que invento ser, e questiono se mesmo era, nada mudou, enfim. Mas vá lá, só me deixem continuar a passear despercebida! Eu imploro, e tanto mesmo.
E que arda, que é das coisas que doem que gosto, de tais coisas eu me delicio. E que arranque pedaço, como dizem, que apodreça uma parte, se possível apenas uma parte, que é dessas coisas que somos feitos. E que exploda, que inunda, que morra. Que mate sempre e tanto, que é depois disso tudo que a vida ressurge. Para um mundo novo: um velho completamente destruído.
É dessas coisas que vem a mudança, o sonho, as águas, a catarse. Para os que entendem do mergulho, entendem de cavar sem ver a luz do sol, pretendem descer e descer... para os que não separam e não partem, não iludem e não temem. Para estes: nós, os campos de água.