
Caos que é ser
Um átimo de tempo prolonga-se num espesso fio,
Amarra o coração e faz-se traje de gigante.
Repetidas canções de outono são ensaiadas por velhinhas de verde,
Estende-se, povoando os buracos numa roda de olhos em pares,
Tempo feroz, só cresce e sufoca...
Num girando de vermelho em vagar,
O peso da sua culpa estilhaça estes pares.
Num assomo de tontura e dor,
O tempo espicha-se... com malícia toca o longe,
Corrói o amanhã.
Depois que as boas águas retornam e o ar refresca-se,
Não há mais espaço para enganos,
Pois que de tempo vive o sólido e orgânico.
A dinâmica do caos implode outra vez.
Tal consciência, outrora sonhou-se vítima,
Agora assiste ao mesmo ato confuso.
Tão diverso é o queixume...
Tão ondulante é a lamentação...
Estranho pensar em ser.
Num coração impressionável, golpes de um caos de compassos prontos
Ritmados por algum padrão misterioso.
Sem hora para cessar,
Sem repouso - consolo dos partidos,
Sem um esconderijo pródigo.
Não detém o controle, jamais.
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