quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Do ponto de vista da Eternidade

Até que ponto Spinoza estava "errado" quando afirmou que não possuímos livre arbítrio? Concordo com a idéia de que somos cruelmente presos à nossa natureza, a natureza humana. Bem por isso, não estou seguindo a linha do que havia "programado" na última postagem. As tais "reportagens" sobre as quais já comentei com algumas pessoas virão sim, mas enquanto a eterna flor azul continuar caindo no meu travesseiro, eu sempre me erguerei até aqui para escrever.

Vejam o que disse Novalis, filósofo do Romantismo: "O caminho do mistério aponta para dentro". Muito tempo se passara desde Talles, e durante toda a longa caminhada pela evolução do pensamento humano, muitas almas gastaram até o último traço de vida buscando saber de onde viemos, para onde vamos, se existe mesmo um Deus e se a nossa alma pode ou não ser imortal. Todo o mistério de nossa razão e dos nossos sentidos, no que crer primeiro? Haverão idéias inatas? E sobre o bem e o mal? Mas então nos deparamos com este romântico que nos diz onde encontrar todas estas respostas: Novalis "quebra a nossa cara" quando diz que todo o mistério do mundo pode ser vivenciado se "mergulharmos" dentro de nós. Todo o universo e até mesmo Deus nunca deixou de estar dentro de nós, porque somos um pedaço da grande criação, e desta forma, uma construção eterna. Fiquei feliz quando li isso hoje pela manhã, não tive outra escolha senão me lembrar deste blog...

Mas toda a despreocupação com o mundo como um todo, todo o esquecimento para com o curso da humanidade e toda a exaltação da arte em detrimento de qualquer outra coisa foram motivos suficientes para deixar um alemão do século XIX completamente "revoltado". É neste momento que surge Hegel e a sua dialética: é o curso da história que determina o que é o certo e mais racional, ou seja, pelas linhas deste homem, só é viável o que for racional.

A história de toda a filosofia parece brincadeira nas mãos deste incrível cérebro, é uma grande diversão seguir seus passos. Onde existir algum fato que de alguma forma tenha levado a outro, fazendo com que os dois se tornem uma verdade e algo concreto para todos, lá estará Hegel para aplaudir. Mas é somente com a ajuda da sua total compreensão dos fatos que passamos a perceber o quanto a história pode mesmo nos dizer muito do que perguntamos. Apenas observando a evolução do pensamento, podemos concluir que nenhum escrito filosófico está certo ou errado, ele deve sempre ser julgado de acordo com a época em que foi escrito, caso contrário, não faria sentido tanta especulação sobre as mesmas coisas durante tantos anos.

A verdade é que estamos todos nós presos a toda a história da humanidade, não importa quando nascemos, todos nós somos herdeiros de tudo o que já se escreveu, pintou, postulou ou compôs por aqui... Todos os dias, quando levantas teu corpo de tua cama, estás carregando milhares de anos contigo, nas tuas costas, as marcas dos erros que grandes homens cometeram para que hoje, fosse possível saber a melhor forma de agir. Somos frutos da nossa história, somos filhos do nosso meio, e portanto, temos que decidir o que vamos deixar para os nossos filhos. Também é por estas razões, que continuo a afirmar que "amo o nosso tempo". Porque tudo o que está em nossas mãos hoje, teve que passar pelo grande olho crítico da História, e hoje podemos abraçá-la e decidir então, as "verdades históricas" que seguirão conosco e as que deixaremos para trás...

Mas e se o tempo e o espaço existem apenas dentro da nossa consciência? E se lá fora o mundo é apenas mundo e não se sente diminuído por isso? Já parou para pensar que tudo o que te cerca não é obrigatoriamente como podemos enxergar com nossos olhos? Um pouco de Física Moderna talvez iria ajudar. Até quando podemos confiar nos nossos sentidos? E a nossa razão pode ser senhora de nossas vidas até que ponto?

Nossa vida começa quando passamos a armazenar impressões das coisas que sentimos. A partir disto, temos uma dura escolha a fazer: ou nos habituamos com o mundo de forma geral e nos tornamos escravos deste "tempo/espaço" ou, passamos a nos libertar das amarras do mundo dos sentidos, onde a natureza nos escraviza, e passamos a usufruir de toda a nossa liberdade em quanto seres racionais. Fazendo uso da nossa razão, enquanto lei da própria natureza, poderemos experimentar o que realmente é ser livre. Porque é essa a nossa função no mundo, em uma grande escala, somos nós que devemos organizar a "casa" e repensar tudo. E isto torna-se possível, somente do ponto de vista da eternidade!

Tu és capaz de em um piscar de olhos sentir de uma só vez "TUDO"? Ter o universo todo dentro de ti, estar em todos os lugares e ver todas as pessoas de uma só vez? Consegues segurar a eternidade nas tuas mãos por pelo menos um segundo? Não deixa o tempo te tirar os sapatos, nem o espaço te levar a lucidez. Esquece as pessoas. Enclausura-te na tua razão: sê plenamente livre.

- Uma flor azul para você! Basta tentar sempre colhê-la.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Talvez o método tenha quer mudado. Parece que alguns leitores tem mesmo "medo" de postar... Mas eu não terei medo de continuar, porque afinal, não vai mudar muita coisa mesmo.
Continuo agradecendo os comentários pessoais e os "debates".
Mas nas próximas postagens, vou ser mais objetiva: nada de crônicas, e sim "denúncias" sobre assuntos de certa forma polêmicos. E pelo que vejo, a maioria tem um certo interesse nestas "conspirações", que pode então vir a ser aumentado com informações mais precisas e verdadeiras.

Continue pensando:
"Se és incapaz de sonhar, nasceste velho. Se o teu sonho te impede de agir segundo as realidades, nasceste inútil; se porém sabes transformar sonhos em realidade que encontram com a luz do teu sonho, então serás grande na tua pátria e a tua pátria será grande em ti." - Plínio Salgado.

Encontro-lhes em breve.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Explicando a tentativa de conversa.

Atendendo a alguns questionamentos e intrigantes perguntas, venho aqui, agora, "explicar" alguns pontos da última postagem e também o nome do blog.

Primeiramente, "Campo de Água", o que seria?

A idéia do nome veio do último álbum de uma banda francesa de Dark Metal que gosto muito, The Old Dead Tree, a capa do referido álbum é a imagem que está postada aqui no blog. No referido álbum, e principalmente na música que lhe dá nome, "The Water Fields", o frontman da banda usa a expressão para falar aos fãs, supostamente, de sua homossexualidade. Mas ele vai mais além, um campo de água é algo que todos tem dentro de si, e por isso mesmo, todos deveriam mergulhar nele de vez em quando, buscando se conhecer melhor. Seguindo por minhas próprias interpretaçãos, é uma busca por algo que você realmente queira, que tem de estar dentro de você, neste caso, conhecimento. E por isso, o convite à filosofia.

E citando este trecho da música, também posso entrar na próxima questão:

"Set your mind at rest my child,
Feel free to cry, feel free to sob...
And I dig, deeper and deeper...
Into the water fields... So deep!"

"Cavando", ou então, "mergulhando" dentro dos campos de água é que podemos encontrar a "liberdade", o "sentir-se livre" de verdade. É nisso que me referi na última postagem, afirmando que não é a felicidade que todos buscamos, mas sim a liberdade. Posso usar como exemplo mais sólido, a corrente filosófica dos Cínicos, que acreditavam que a verdadeira felicidade seria alcançada somente quando o ser humano fosse capaz de se desligar de todos os conceitos terrenos e de todas as efemeridades da vida. Assim, ele seria livre o bastante para se permitir "ser feliz" sem escrúpulos. E que esta felicidade, depois de ser alcançada, jamais poderia ser perdida, sendo eternamente completa, livre.

Explicando melhor, a felicidade é algo de momento, ela não pode ser completa por si só, ela precisa de alguém que a faça possível no seu interior, e para isso, a almejada felicidade, necessita tão seriamente, de seres humanos livres. Conclusão: O bem maior para a conquista da real felicidade é sim, a liberdade.

Foi mergulhando dentro dos seus campos de água, que o autor desta música pôde se descobrir sexualmente. E é este o convite que fiz em minha primeira postagem, um convite para uma igual "libertação", mas claro, cada um a seu gosto, meu objetivo aqui não é fazer as pessoas mudarem sua opção sexual... Mas sim, se conhecerem melhor, mergulharem dentro de si mesmas, conhecerem o seu campo de água, fazendo disso, um sentimento que "preenche", que completa, que liberta.

Como falei na primeira postagem: "Buscaremos um mergulho profundo a procura das coisas de máximo valor, em busca da essência das essências". Cada um tem o seu livre poder de interpretação, a capacidade de se permitir, de vir até aqui e colaboar comigo, ou melhor, colaborar consigo mesmo, postando "sem limites de caracteres", permitindo-se.

Uma outra questão que, acho que posso dizer isso, resultou em uma pequena "polêmica", foi a seguinte passagem:
"Acredito que todos passamos pelas mesmas experiências na vida, sem exceção. A diferença, é a 'velocidade da reação' e o tamanho do 'componente' memória."

Quando fiz uso destas palavras, é claro que eu estava me referindo de uma maneira bem geral, mas sendo bem objetiva, vou me explicar: acredito que todos nascemos em alguma espécie de família, começamos a frequentar uma escola e passamos, paulatinamente, a se relacionar com pessoas, e estas pessoas, com estas mesmas experiências que nós. Todos já tivemos algum tipo de decepção na vida, como também, algo que nos fez sentir felizes ou especiais.

Mas é aí que quero "mergulhar", pensando desta forma, podemos ver que todos nós passamos pelas mesmas coisas! Todos nós sentimos as mesmas coisas, as experiências em sua essência são as mesmas! Mas a diferença, a cruel diferença, que nos faz pessoas tão distintas ao redor de todo o planeta, é a maneira com que cada um reage diante do mundo, se posiciona diante dos pais, da escola, dos amigos.

Me responda, então, até onde você é capaz de levar uma mágoa da infância? Até onde você é capaz de se automotivar com alguma conquista sua? E a sua memória, até onde ela pode te ajudar ou atrapalhar? Você esquece fácil quando alguém te magoa? Quando alguém te trai? Você é capaz de se "libertar" destas manchas e seguir em frente todos os dias? Todos nós já nos deparamos com mentiras, com situações "desagradáveis", concorda, não é? Sim, a diferença é o quanto cada pequena ação externa pode mudar o seu interior! O quanto o que você ouve e vê das outras pessoas pode mudar o que você pensa e suas opiniões. E é isso que faz você ser quem você é, não as "cenas" a que você tem presenciado ao decorrer dos seus dias.

A diferença também é, o quanto você exercita o seu poder de reflexão e o quanto você permite que isso mude a sua vida, aos poucos. Todos nós já nos decepcionamos com o "primeiro amor", já tiramos alguma nota "esperada" no colégio, seja ela boa ou ruim, já fizemos amigos e já perdemos também. Enfim, eu poderia citar "n" cenas comuns a todos, e principalmente, eu poderia, e devo, citar a morte, esta sim, todos sabemos, é a nossa "herança gélida", a certeira, a indiscutível. Ao final de tudo, o que verdadeiramente temos conosco, são as nossas impressões e visões do mundo, tudo o que a nossa razão, juntamente com o poder dos nossos sentidos, puderam instigar em mudanças durante nossa estada por estes "mundos" dentro de um mesmo planeta, e eu não posso deixar de dizer isto, pequeno.

Agradeço a atenção e a dedicação de todos. Se alguém se interessar pela corrente filosófica que citei, na qual me fudamento para toda a questão da liberdade, peço que me contacte. Espero que eu tenha conseguido me expressar bem, e se ainda ficar algo por "discutir", sinto-me tentada a convidá-lo "para uma xícara de café", sim, um mergulho bem pode ser expandido de vez em quando. Espero, também, vê-los por aqui ainda mais. E por último, espero que as pessoas que me motivaram a "explicar" o último texto voltem a dar seus pareceres.

- E Que os mergulhos possam ser cada vez mais profundos!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Eu só estava tentando conversar, fragmentos das tentativas, apenas.

Não, eu não consigo passar mais um dia sem me preocupar. Mas parece tão fácil... Só que não é. Eu não consigo passar mais um dia sem me importar. É que eu não consigo andar sem as minhas muletas. Você quer algumas emprestadas? Eu posso tentar conseguir. Eu posso, também, tentar travar um diálogo com você, mas eu sempre vou acabar gritando no final e você vai sempre sair decepcionado.

É verdade que tudo na vida tem que ser especial. Mas e a vida, em tudo, tem que ser o quê? O futuro é algo que me impressiona tanto... E só porque eu não quero mais impressionar ninguém com palavras cultas e observações regadas a intelectualidade, eu só queria que o futuro pudesse impressionar a todos também.

E quando você não sabe o que vai acontecer, você faz o quê? Você espera pra ver, você reza pra quem sabe ajudar, ou você ri fingindo nem saber? Ou pior, e quando você já sabe o que vai acontecer? Não é mesmo bem pior? Será possível ainda calcular mais alguma coisa? Decidir mais algum detalhe que fugiu do que era pra ser a última revisão?

(...)

Eu só peço pra que você se prenda a poucas coisas nesta vida. Não segure as pessoas, não chame de "seu" os lugares. Estão errados aqueles que pensam que todos nós permanecemos no mundo para encontrar algo chamado "felicidade". Equívoco grande: é a liberdade que todos nós tanto desejamos.

Mas se ainda assim você sentir uma vontade forte de se agarrar a alguma coisa, escolha, pois, a sua consciência. Alimente-a todos os dias e a torne senhora das suas escolhas. Não perca jamais a sua capacidade de se admirar com as coisas. Que você seja capaz de acordar todos os dias vestindo o mesmo pijama, ou aquelas suas meias desbotadas. Que você seja capaz de, acordando, olhar sempre para a face da mesma pessoa, ou o teto com a pintura descascada, e que nada, (jamais!) lhe pareça "igual". Que nada fuja do seu lhar crítico. Que você possa sempre discernir o que acha que é certo do que você tem certeza que não presta. Ou então prestaria demais. Você me entende.

Eu não tenho medo do meu fanatismo, não me envergonho de chegar até os limites do que uma "opinião" pode arrematar. E é justamente por isso que a minha voz nunca será calada por quem em nada neste mundo tem o prazer de derramar um pouco do seu tempo e fazer transbordar o campo de água de si. Eu vou sempre empregar esforços para defender aquilo que acredito, não importa o quanto em vão isso pareça.

Só que, amigo, às vezes eu acho que Aristóteles tinha razão mesmo: a moderação faz bem aos seres humanos. Você não pode estar em todos os lugares que desejaria ao mesmo tempo, e isso quase sempre faz de você um derrotado. Escolha um palco de cada vez, e torça, pra que quando chegar a sua cena favorita, você ainda tenha forças pra respirar.

(...)

Até que ponto as origens podem influenciar uma pessoa? Você saberia me dizer? Eu tenho lá as minhas dúvidas. Você ama alguma coisa, digo, alguma "coisa" mesmo, nada daquele amor que sim, todos nós sentimos, falo de amar algo concreto, ama? Eu amo a música. E para mim ela parece ser a "coisa" mais concreta. Ela é como um vaso que nunca enche até a borda, mas que quando você mergulha nele, pode ter certeza, ele vai transbordar por inteiro.

E se o tempo tivesse sido mais generoso comigo? E se eu tivesse sido mais "durona"? Você aceita tudo o que fez até hoje? Cansei de procurar as soluções fora de mim. E claro, cansei disto porque eu nunca as encontrava, e nem poderia. "Aprender" é um processo parecido com compor, você não sabe que sabe, mas precisa aprender a saber como fazer para aquilo tudo sair de dentro de você de modo que você sinta que sabe o que já sabia.

(...)

Ah, eu não quero nunca deixar de sonhar. Eu não peço a Deus amores, nem sabedoria, tão pouco aquela tal de "malandragem". Eu peço sim, sonhos. Que eles possam sempre encontrar morada sossegada dentro do meu peito. E que se eu fizer por merecer, que eles possam dar um salto e voar, sair voando, sabe?... Mas comigo dentro deles, ou eles dentro de mim.

Quero sempre ver a luz dos teus olhos amigo, quando falares olha mesmo pra mim, que é assim mesmo que eu gosto. Ouvi dizer que isso é uma virtude, pra mim é o básico. Mas lembre-se, nada de lentes fotográficas, só se eu puder ficar atrás delas.

Quando quiser companhia pra fazer algo "diferente", ah... É claro que pode me chamar. Quero mesmo ser diferente. E me ajuda a encher a minha cabeça, não me deixe ficar com muito tempo de sobra, eu gosto de pensar, seja lá no que for.

Acredito que todos passamos pelas mesmas experiências na vida, sem exceção. A diferença, é a "velocidade da reação" e o tamanho do "componente" memória.

(...)

E como disse Sócrates, mas com palavras um bocado diferentes, eu quero ser sempre um mosquito atrevido importunando nas ancas da velha égua Atenas, não quero deixar que ela se sente mais uma vez. Tomei um gosto muito grande por desafios... Você pode sentir isso? Pode sentir o seu sangue correndo pelas veias? Isso se chama liberdade.

Mas eu vou seguir implorando por uma chance. Eu não vou descansar até poder realmente fazer uso da minha voz. Há de existir uma força maior que me sustente. E não é por mim, eu ainda vou descobrir por quem é.

Enfim, queria dizer que eu amo muitas coisas aqui. Eu amo isso tudo que tenho nas mãos agora. E mais aquilo tudo que já perdi. Eu amo o que ainda, pelo menos, posso recordar. Eu amo o tempo, senhores. Eu amo o nosso tempo.