segunda-feira, 15 de junho de 2009

Imorredouro

Será que Eu sinto mesmo tanta falta sua quanto parece ser? Por isso resolvi te escrever agora, minha terna amiga. Desposei a solidão, mas quando lembro de que tenho você para me corresponder, Eu posso ainda tentar.
A maior parte do tempo, Eu tento fechar a minha mente para mim mesmo... apenas para pensar em você. Para ouvir a música mais uma vez e sentir a dor do meu sangue escorregando pelas veias, ainda minhas? Eu prometi para mim mesmo que isto iria mudar, mas Eu continuo tendo vergonha de mim, me vexar é agora o ordinário. Sem glória. Sem celebração. Mas com amor.
E se o amor deve doer de dentro para fora, se ele deve ser sempre um rio fluindo sem medo, escorrendo e pingando, gotejando sem ser vulgar... E se o amor deve ir enchendo todas as superfícies, rasas ou as mais profundas, e todos os buracos ir purificando, e lustrando, facilitando. Clareando. Então Eu amo.
Não é nenhum tipo de inspiração, minha terna, e sim fuga da certeza: eu te escrevo para fugir de todas as minhas certezas. Um poder muito forte, que o meu cérebro não tem a menor chance contra, este é o poder. É a luz em si: os sonhos são como anjos que mantêm o mal afastado, pela glória de todo este poder, os anjos nos conduzem através do paraíso e os sonhos, voando, nos perseguem.
Foi um bom torrão de tempo gasto para todos os planejamentos, toda a criação “super-imaginária” de cenas tão incertas quanto as pessoas tidas como personagens. Encontros e conversas, cartas e garrafas, livros e cenas: tudo não passou de imaginação, e imaginação nossa, minha amiga. As minhas sobrancelhas se arqueiam quando penso em tudo o que ficou para trás, você reconhece aquele meu velho gesto, mesmo estando agora a quase duzentos anos de distância, Eu suspiro e deixo o meu olhar falar por si só, enquanto permaneço de olhos fechados.
Este torrão de tempo ainda vai ser tostado, liberando o cheiro acre e ardido de desejos sapecados. Depois de tostado, ele vai ser moído e passado, vai ser o aroma mortificante do café de todos os dias. Vai penetrar fundo no meu fígado. E o cheiro vai entupir o meu espírito e se ir, deixando o líquido negro a aquecer as veias e os pensamentos.
Tenho o café, mas Eu não sei mais se o que faço é o certo ou o que eu queria que fosse o correto. Eu não tenho meta nem esperança aqui, Eu não tenho nenhuma tarefa. Veja só, minha terna amiga, não tenho nem a tarefa de me preocupar com uma tarefa futura! Ouça bem, quanta graça... Aqui Eu sei, a salvação. Aqui eu tenho você e apenas você, aqui escrevo Eu com letra maiúscula: aqui, Eu, posso.
Eu posso derramar o meu cruel egoísmo e orgulho, você bem os conhece. Continuo sentindo que Eu poderia desenterrar muito mais, talvez muito que até fosse útil para você, demasiado me agradaria.
Andando pelas ruas daqui, longe de qualquer resquício da modernidade urbana que você tem de conviver, vejo a beleza em queixos bem desenhados e articulados, posso até ver beleza em uma intelectualidade afetada, no prazer dos erros, na nostalgia dos sonhos presentes. No meu ardente desejo de rever o mar. Aqui onde a sociedade nunca irá imaginar existir telefones e computadores, onde as cerimônias e as visitas valem muito mais do que os sentimentos, posso até ver beleza em um chá servido com cortesia e apenas isso. Mas nunca será a sua beleza. O meu corpo se aquecerá se eu continuar a pensar em você. A sua água me invadirá se eu continuar a pensar...
Você é a beleza no riso tímido e nunca malicioso, é a beleza nos olhos tristes sem razão. Você tem a beleza nas palavras verdadeiras que não precisam de planejamento para se cumprirem: é mais do que beleza quando um suspiro ardente soluça do fundo do seu peito e vem à tona marejando a minha alma! Uma luta por mais ar em um pulmão que já nem mais sabe o que é respirar, o nosso torrão imortal.
E até quando acreditar em sonhar? Até onde desejar fazer tudo sozinho? Até quando desejar ser sozinho? Se o som sobe sempre quando o coração acelera e Eu não me perdôo se não me emocionar. Com você eu posso. E eu tenho calafrios. Tenho calafrios!
Não deixar o resto secar, você sempre toca neste assunto, ainda ter o que colher lá dentro, e assim querer ver a cesta sempre cheia. Enquanto os joelhos se dobram em sutil movimento acima do verde das colinas, correndo... Você lembra? Correndo... o balanço dos seus cabelos, em campos e mais campos, sempre verdes e eternos, tão eternos quanto o quê? Colhendo e apenas olhando para o alto, o único bem que realmente nos deveria interessar.
Mas daqui, tenho que partir. Você me ensinou a preservar uma boa vontade de colher, e eu me mantenho em aprendizado. De você, ainda mais, tenho a sua água imortal escorrendo na minha nuca, colhida dos poços daqueles campos. E a água continua a ser algo que flui: não importa onde você a coloque. E assim como ela, e sempre com ela, o amor me acompanha, fluente e imorredouro.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ele me disse!

Caótico. As cores no quadro daquela parede sem cor, ele sentia o balanço ressurgindo pela atmosfera da vida que elas transmitiam, ondas de impulsos que assim ressurgiam e o carregavam no mesmo ritmo, o compasso era o mesmo. Ele não queria mais olhar para lá. Os olhos eram estes mesmos que agora posso ver, mas o poder de controlá-los, não o era ainda. Seu coração se sentia tão duro que quase não conseguia mais bater, aquela respiração entrecortada era quem insistia em segui-lo, um sopro forte que fazia o seu corpo todo dilatar... e o calor da solidão fazia as têmporas rasgarem.

Mas ele olhou novamente. As cores no quadro. Abria sua mente para que os pensamentos pudessem entrar e sair, para que pudessem se afogar em uma realidade mergulhada em angústia e cumprir os seus desígnios. Muitos deles entraram e fizeram seus desfiles, afundaram naquela realidade, mas não quiseram mais sair... e ele não podia falar, por causa da confusão em sua cabeça.

Na nuca, o peso de tanta fuga: fugir da inconsciência dos rastros daquelas cores, mais uma vez. E por dentro, nas veias, é... acho que foi isso que ele me disse, exatamente nas veias, o fluxo incansável de algo que aguarda uma existência para se libertar, ele sentia rios de vida querendo ressurgir... nos pulmões eles podiam encontrar um abrigo, enquanto o ar entrava e os deixavam cheios, muito cheios, assim como fica a respiração em um momento de desespero.

Mas quão logo eles se enchiam, já estavam vazios, e a confusão não deixava com que os impulsos fossem controlados. Eles não conseguiam fugir. E os pulmões continuavam a se encherem e se esvaziarem rapidamente. O peso na nuca. O calor. Ele assim me disse.

E o peso seguia martelando e martelando, e empurrando as suas costas em um movimento compulsivo que o balançava aos poucos. Mas o ritmo da respiração se acelerava, o coração que não se agüentava em si, ia sugando mais ar e o enchendo as vísceras, e as têmporas reclamavam e a nuca se contorcia, e o balanço continuava. Não párava. Aumentava. Sente? É forte, as mãos tremiam, é claro que o suor escorria. Não mais as suas costas, mas agora o seu corpo inteiro se contorcia seguindo o ritmo. A melodia martelava e martelava. E o levava. Não tema, ele me disse, encontra a tua face, e a encara. Entrega-te a estas malditas cores venenosas...

Mas como toda chama que uma hora há de se apagar, assim também os pulmões se acalmaram. E o coração voltou a regular a vida. Pôde sentir de novo a doçura, a candura daquela brisa colorida. Um motivo? Todos. Todos sabemos como nos perturbar. Sabemos como fingir não lembrar daquilo que fazemos de tudo para esquecer. Sabemos como sonhar pesadelos e perder o sono. Sabemos como temer nossos impulsos, os mais sombrios. E por que não o fazemos? Por que não nos perturbamos? Por que não revelamos o negror das raízes que nos carcomem por dentro? Temer. Ele me disse.

É por isso que o corpo dá tantas respostas, na luta contra a sobrevivência. O desejo de morte que está dentro de tudo. O poder de quem enfrenta a si mesmo. Como em cores em um quadro, que passam a ser melodias que o conduziram nauseante flutuando rumo ao que queria. Quem me lê, sabe o que quer ressurgir dentro de si e apagar as marcas do medo da própria testa. As marcas do medo da solidão. Enfrentá-lo, é ter a certeza de não estar só, por sentir a certeza correndo dentro de si, te sentindo contigo, o que mais há para temer?

Não quero arrancar o quadro de lá, ele me disse, mas também não posso controlar o
momento de olhar para ele. Aquela parede é minha velha conhecida, e eu sei, ela acha muita graça de mim. A tolice de quem se perde por entre labirintos do passado, sonhando em se encontrar em júbilos do futuro, é essa a graça que aquela parede vê em mim. Mas ah... Ela tão cruelmente se engana, pois eu ergo meu queixo, sustento minha face em sua direção, para admirar as cores caóticas que quero sempre ver, mas jamais para observar o que foi feito ou o que ainda se pode fazer, eu a olho para contemplar o presente. Ele assim me disse.

E o seu punho se fecha com a força dos que amam e se ergue aos berros! Ele sabe o que é. E a sua boca é de todo um sorriso altivo, a confiança reina nele. E em ti? Um exercício de liberdade. Temer-se. Perturbar-se. O gosto doce invade as suas papilas gustativas. As gotas de suor escorrem na mesma velocidade e ritmo a que o sangue é conduzido dentro do seu corpo, rios levados pelo impulso de um coração forte e musculoso. Conduz o ressurgimento da certeza.

Isso, não foi preciso que ele me dissesse, eu também o sentia. Senti, ainda, o sol batendo em nossas faces no momento em que o vi e o ardor dos meus olhos, tamanha a sua beleza. Lágrimas não irão limpar este caminho, ele me disse, para vagar assim como ele pela luz... Eu sinto as suas mãos firmemente amarradas no meu pulso, incrustando as unhas na minha carne. E tenho a certeza de que o presente é imortal dentro de mim, a cada segundo em que vai morrendo e se desfazendo dentro do meu desejo de repeti-lo pela eternidade.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Escombros em Rios de Poeira e Sangue

O que mais eu poderia pensar enquanto desvio meus olhos do espelho? Enquanto formulo várias frases para registrar aqui, mas elas parecem se esvaecerem quando eu realmente me disponho a escrever algo intenso. E verdadeiro. Tentar sempre procurar um sentido em tudo, isso eu faço a todas as horas, e talvez, lá encontrar um restinho de calma e felicidade. E pareço às vezes não estar levando nada comigo, mas não posso acreditar e nem permitir tamanho desleixo, alguma coisa tem que existir em mim para que eu possa carregar.

Tantos motivos para se escrever, tantos temas que eu poderia agarrar, mas eu não quero. Eu apenas estou pensando nas coisas que não posso escrever, nas pessoas que não podem me ler. É incrível como você ainda persegue os cantos do meu cérebro, você pode até por muitas vezes se esconder, desfilando perdidamente por enormes e labirintícos corredores, mas mesmo sem ver você toda hora, sem sentir o seu cheiro a todo instante, eu sei que você está lá naquele lugar e que não vai me deixar tão fácil.

Enquanto eu mantenho meus olhos fixos em qualquer objeto à minha frente, a própria porta do guarda-roupa, eu vejo aquele filme passando mais uma vez no meu inconsciente. Posso sentir a sua respiração mudando de ritmo enquanto desliza pelo sofá preto de couro e me ouve cantarolar qualquer melodia perdida e sem vontade. O eco dos passos na escada são só mais um motivo para se achar graça, afinal, a graça em si, está toda em você. Ainda me admiro ( e perturbo-me!) com a sua sagacidade! Com o seu entusiasmo diante de tudo, absolutamente tudo. Alguém que não tem o menor motivo para não andar de cabeça erguida, que não tem medo de lutar ainda, e cada vez mais... Uma confiança suprema que só um vencedor pode sustentar.

Você é a sagacidade em pessoa! E como ainda me dói sentir isso tudo! É como se centenas de alfinetes perfurassem cada fibra do meu miocárdio, compassadamente, demoradamente, mas com harmonia, como em uma música mui lenta. E os tecidos vão se esfacelando, e o que sobra é a alma de um coração que já não queria mesmo mais bater. De repente você volta, e somente nos meus sonhos, nos meus mais inalcançáveis sonhos, você volta trazendo um martelo consigo, e vai aos poucos, voltando a acertar meu peito em cheio. Você não tem piedade, e vai martelando tudo o que puder alcançar. Tudo o que ainda posso sentir, é o torpor do fel em minha boca: incrível visão da morte. Eu havia prometido que não ia escrever sobre isso, mas claro, você sempre vence.

(A respiração torna-se mais difícil, isso aumenta, porque eu não consigo escrever assim. Vou voltar depois.)


(...)


E quando volto, poeira. Embaça minha visão. Das coisas velhas e sem uso, dos bens desapropriados, é destas coisas que tenho que me desfazer, mas os meus sapatos não escondem a verdade. Poeira.

E volto, e só penso em não continuar com isso. Algumas pessoas parecem ter simpatia pelo sofrimento e eu não quero me tornar uma delas. Ao contrário, eu posso parar e olhar em minha volta, tentar curar minha obsessão por mais, meu espírito insaciável que só sabe reclamar por mais.

Debaixo destes escombros, vou recontando meus passos, procurando alguma poesia que já tenha passado por debaixo deles. A minha maior vontade é dormir por horas e muitas horas, como se o sol do novo dia nunca fosse chegar e iluminar o meu quarto sem janelas. Eu quero acreditar que eu posso ser melhor, mas isso tornaria este texto não sincero o bastante, como eu aprecio. Esperando para os sonhos se concretizarem, quantos dos iguais a mim agora também fazem isso? Esperar. Palavra que me inunda de pavor. E ódio.

Mas há que ter uma graça em tudo. Assim como há polêmica o tempo todo, também tem de existir uma piada para tudo. Quando se permite não se pensar na origem do universo e de todos os escombros soterrados dentro da sua casca de noz, quando não nos perguntamos quem nos fez e para onde vamos, e para quem teremos de prestar contas depois de tudo, é aí que se pode se agarrar em tudo e apenas viver o momento. Ou melhor que isso, se desacorrentar de tudo, e viver o momento. Sem sangue no teclado. Sem um monitor úmido, apenas o reflexo do branco dos dentes asseados no espelho, e o viver. A certeza. Essa eu quero pra mim, a consoladora certeza de que estou viva. Aí todos os problemas parecem virar uma simples cortina de fumaça e os fardos em nossas costas, flores recém colhidas: tulipas amarelas. A chuva que cai insistentemente sobre as nossas cabeças causando catástrofes todos os dias, agora serve para encharcar o solo e trazer até nosso olfato aquele delicioso cheirinho de terra molhada.

Tantos lugares para ainda pôr os pés, tantos rostos para ainda ver nascer um sorriso, mas a minha juventude vai prevalecer até onde? Até quando ela vai continuar me carregando? Eu me canso de esperar. E eu me canso de viver enjaulada. Vendo a luz do sol, mas não o tocando. Problemas de comunicação. Nada parece nos encher, no entanto, é só depois de vazios que mostramos o fundo, a verdade de verdade. Quando são recolhidos todos os escombros, resgatadas todas as vidas e limpado todo o terreno, nessa hora, quando não há mais nem um galho caído se quer para se esconder, aí claro, todo mundo é forte o bastante para aparecer e sustentar a sua mediocridade além de todos os outros.

Procriação da miséria. É isso que tenho visto, onde quer que eu olhe. E nada pode me fazer mudar de idéia, assim como também ninguém faz nada para mudar isso, aliás: nada. Partindo do princípio (famoso) de que o bater de asas de uma borboleta no Japão pode causar uma chuva no Central Park, então é melhor capturar a borboleta e pesquisá-la detalhadamente? Ou tão logo matá-la. É assim que estaremos fazendo nossas previsões daqui alguns anos? Nada muda. O mundo continua tão igual como quando foi criado, você pode não concordar, mas em sua essência é isso sim. E eu fico pensando o que me faz ficar aqui a esta hora da noite escrevendo nem eu bem sei o quê, sem saber quem e quantos irão ler, enquanto a Itália sofre com terremotos, as borboletas provocam chuva nos Estados Unidos, e o presidente deles fala bobagens terríveis a estudantes turcos. O planeta gira em torno do sol e as leis básicas da física de Newton são usadas por algum aluno que não consegue entender o que aquelas fórmulas todas significam, em algum lugar do mundo...

E novas decobertas são descobertas, e novas tecnologias aprimoradas. O mercado se expande e a propaganda se garante. E pensar que isso tudo começou com um desabafo de memórias... Mas vá lá, ainda sou jovem, se não puder divagar agora, quando é que vão me dar a concessão de fazê-lo? Eu ainda posso rir se olhar bem de longe para estes restos de entulho. Eu posso continuar indo mais a fundo, mas em alguém sempre vai doer, e algum outro sempre vai praguejar.

Alguém quem sabe, pode até mudar algo em algo. Mas eu, vou continuar passeando alegremente por cima desses morros de escombros, sustentando um sorriso no rosto, e o velho cálice nas mãos sem marcas. Vou derramá-lo em algum ponto estratégico e ficar assoprando desesperadamente até que ele comece a rolar de um canto ao outro, formando um rio sanguinolento, um fluxo escarlate que possa manchar todas as cinzas e restos, empoeirados. Nos escombros, eu: inteiramente púrpura!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Um Derramo Púrpura

Vontade boa agora, essa de escrever. Pego o meu cálice das páginas em branco e desejo transbordá-lo desta energia criadora, posso mesmo ver o líquido púrpura se derramando por entre cá: sem linhas, sem contornos, um derramo. É uma potência magnífica que só parece ter aqueles que a merecem: aqueles que a busam e a louvam, por onde andarem. Não é bebida que se possa distribuir, muito menos desperdiçá-la, visto que rege boa parte do Ser. Quero esta garrafa em minha mesa agora, sem garçom e sem telespectador de mesa vizinha que tanto provém na arte da inconveniência: quero só a energia criadora me saciando o paladar e estalando nos meus lábios em um sorvo de coragem. Vontade boa de escrever.

Como se o destino fosse algo incerto, minhas sobrancelhas se curvam e o meu rosto é um todo de estranhamento e riso. Engraçado, já conhecer o próprio destino. Mas claro, eu sei, o púrpura é eterno. Se eu pudesse prever as formas que iriam se originar logo quando vi a bebida a se depravar deste cálice, talvez iria querer que a toalha permanecesse a sustentar aquele seu branco lívido. Mas por onde meus olhos puderem focar minha visão e eu sentir que ali devo me sentar, não haverá previsão matemática ou humana que me faça mudar de idéia, e então, naquele lugar, haverá um derramo criador.

Parece-me cada vez mais comum irromper em um diálogo com alguém e ouvir aquela palavra que, só em pensá-la, sinto-me dormente e pareço querer me entregar a ela com garrafa e tudo, mas não, não amigos: o tédio não pode nos vencer. Parece-me, algumas vezes, que o rótulo da garrafa não me é mais tão eficiente, parece não vender a mercadoria com a mesma velocidade de outrora. Estão os meus rótulos se extinguindo? Ou serão os rótulos meus?

Se eu pudesse apagar o barulho dos manuais deste mundo, ah... eu o faria sim. Tudo aquilo que não é conversa com humor, debate sem filosofia ou música com qualidade, juro que extinguiria tudo. Mas me restaria o silêncio? A única certeza é que ele me parece mais convidativo a escrever, assim a simpatia é inevitável. Mas como não posso acabar com nada por aqui, vou imaginar que desta mesa não dá para escutar nada, e pronto! A sala é bem grande e o som da televisão chega muito fraco. Bem melhor assim. Tento mergulhar no meu silêncio pessoal e tocar o púrpura mais de perto, quem sabe me derramar junto com ele. Eu poderia desenhar todos os meus sonhos nesta toalha xadrez. Ainda bem que já dispendei o garçom.

Quisera eu ser capaz de me desfazer de todo o tipo de stress e desconforto enquanto penso em estar aqui. Nos dias em que temos passado, acho que não é um exagero dizer que se é feliz porque foi dormir sem ter uma crise nervosa. Nossa energia, uma enorme parte dela, é gasta em coisas que não nos satisfazem, que apenas terminam por desenvolver o nosso vazio. Desta mesa posso ver todos completando suas refeições para estarem em condições de seguir o dia, mas quantos deles irão pagar a conta na hora certa? E como suas refeições, quantos poderão dizer que se sentem "completos"?

E o som, sim, a músia que posso ouvir quando vejo o cálie se enchendo, a margem vai mudando de direção e a energia gerando ainda mais criação. Observar as outras pessoas é realmente algo divertido, é também nessas horas que uma boa música faz falta. Eu não sei quanto vai dar esta minha conta, sempre me parece que não sorvi o bastante da minha bebida predileta, mas quando chega o garçom com a conta, as minhas previsões são tidas como equivocadas e tenho de pagar muito mais do que imaginei.

É hora de deixar a mesa. Admiro-me como às vezes pode ser tão difícil manter o controle dinte de algumas situações. Mas, puxa vida! Todo esse dinheiro mais uma vez?! Como podem cobrar tanto pela bebida púrpura? Como podem exigir tanto? Será inveja pela falta de talento? Eu não posso pagar tudo isso! Se eu ao menos estivesse satisfeita, mas eu não estou, eu nunca estou satisfeita...

Vou sair deste lugar pior do que entrei... ou não? Hoje é o dia dos derramados. Vou lá, derramo tudo: derramo a garrafa, os copos e os guardanapos. Derramos os talheres, sempre mal colocados aos olhos perfeccionistas de um obsessivo compulsivo. Derramo esta toalha ridícula com estampa dos cofres públios, um xadrez de todas as cores onde todos botam a mão. Derramo a tua cara, garçom incompetente! Vou derramar também estes pratos que por muitas vezes me deixaram mais faminta do que quando entrei aqui. Um final admirável? Derramo então a tua cara também! E vamos correndo que este lugar é prisão dos que não fogem! Vamos saindo que aqui não quero mais me sentar. Quando quiser sentir essa vontade boa, procurar-me-ei em um aconchego real. Derramo, enfim... o sonho, a alma, a salvação: o púrpura.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Informal, pensamentos assim.

O que você precisa para acordar todos os dias? Precisa de algo que possa te despertar? Um despertador que toque uma música de seu gosto a cada cinco minutos, a voz da sua mãe com aquela freqüência estridente irritando logo cedo o seu ouvido, ou você ainda tem algum recurso? Como você se levanta todos os dias? O que você precisa para ACORDAR todos os dias?

Acho que às vezes um belo soco de esquerda pode ser aproveitável, mas ele tem que te jogar longe, tem que te fazer levantar da cama, e depois da cadeira em frente a mesa do café, e depois, ainda, do sofá em frente a televisão. Tem que ser um soco que te faça sair de casa percebendo isso, falo informalmente, porque é assim que é, um soco, só pode ser informal.

Também seria melhor se todos na rua vissem a marca roxa e informal na tua cara, mas não a vergonha nela: somente a honra informal. Decides sair de casa para laborar mesmo depois de um golpe certeiro, é um ato digno de apreço. Um homem que acorda e assim segue movido pelo mesmo combustível.

Este homem pode pensar sobre o que aconteceu com ele logo pela manhã, mas certamente ele não quer fazer isso logo agora que o sol está nascendo de uma maneira tão bonita e diferente no rio da cidade. Ele sente a sua sensibilidade. E depois, aquela velha e forte náusea, de culpa, uma dolorosa culpa, por ter se conformado por tanto e tanto tempo.

A náusea o remete para memórias, não de ignorância, onde deixou passar as melhores oportunidades, mas o conformismo que o fazia achar que tudo estava bem assim como estava. Esta náusea quase o leva ao chão. É um aperto muito forte que ele sente e isso quase o deixa sem ar, a pedra que sente carregar dentro dele por tantos anos, parece ser mais dura do que ele sentia, talvez porque o verdadeiro peso da rocha ali incrustada em seu peito, eram os seus próximos quem tinham de carregar. Mas isso tudo, é muito informal.

Prefere se sentar. Afinal, foi tudo o que fez até ali, é este o legado que tem para os seus filhos, porque enquanto batia o seu cartão na empresa em que assinou a sua carteira, de nada a sua essência humana lhe serviu. De nada os seus sentidos puderam lhe dar uma visão melhor, e as paixões dentro dele, de nada puderam lhe dar uma vida melhor, ou mais feliz, como queira a informalidade.

Mas deve ser um homem forte, este. Por todos os seus dias, conseguiu sustentar a imagem a qual todos queriam ver, sim! A sua mediocridade foi capaz de lhe dar a máscara certa, e claro, ele soube atuar muito bem. O problema mesmo, é que sempre se sentiu orgulhoso quanto a isso, tinha o controle das coisas em suas mãos, o sorriso era forçado, o abraço era de longe, mas tudo ele podia controlar e conduzir, convencendo a todos da felicidade que os cercava.

O tempo deve ser mesmo o soco mais forte de todos, o mais informal, o mais doloroso. Sorte, que ele atinge de uma vez só, assim como a este homem. Informalmente, como foi toda a sua vida, no canto da platéia, na porta da igreja, no fundo da sala, sorrindo à mesa, assim, bem informalmente, o tempo lhe trouxe a sua cartada final. Não a carta de um curinga, mas um baralho todo de lamentações.

Há homens que vêm ao mundo para trabalhar. E assim, por trabalhar, garantir o curso da história e do consumo humano, tudo o que precisamos para satisfazer nossas necessidades, e nossos sentidos e desejos. Estes homens seguem erguendo o muro e não deixando com que a desorganização tome conta do globo, são vistos por todos como bons operários, e de fato o são, em sua maioria.

Outros dignos homens, vêm ao mundo com toda a sorte de inteligência, a sua razão lhes permite criar coisas novas e espetaculares, que aos poucos vão enchendo as nossas prateleiras em todo o planeta. A pena é que ainda não inventaram nada que pudesse frear a mesquinharia humana. Mas eles sabem do que todos precisam, e usam seus cérebros para tornar a nossa existência por vezes mais fácil e acessível, e por outras mais alegres e distraídas. São estes homens que conduzem a nossa superioridade enquanto seres pensantes.

Mas os outros, estes não sabem muito o que fazer. Na verdade, não sabem como fazer ou por que fazer. Ou viverão sufocados e perturbados tentando se encaixar, ou se entregarão ao seu ofício: vão se sentar, e apenas SENTIR o mundo.

Preserve a sua sensibilidade. Sinta-a da maneira que você considera mais forte. Louve a sua individualidade. Porque nenhum ser humano tem a voz igual à de outro, por isso, encontre a sua voz! Seja um destes “tipos” de homem, mas honre a sua posição, ou então invente outros novos tipos. Não deixe a informalidade lhe dominar o cristalino, coloque lá a honra de um soco certeiro envolta do teu olho preferido, e sai amigo, sai... Vai ver o mundo! Vai te achar nele! Procura a tua voz, semeia a tua voz, e canta com ela! Serve com ela! Louva com ela! Mas não desiste. Porque eu, eu já encontrei a minha.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Do ponto de vista da Eternidade

Até que ponto Spinoza estava "errado" quando afirmou que não possuímos livre arbítrio? Concordo com a idéia de que somos cruelmente presos à nossa natureza, a natureza humana. Bem por isso, não estou seguindo a linha do que havia "programado" na última postagem. As tais "reportagens" sobre as quais já comentei com algumas pessoas virão sim, mas enquanto a eterna flor azul continuar caindo no meu travesseiro, eu sempre me erguerei até aqui para escrever.

Vejam o que disse Novalis, filósofo do Romantismo: "O caminho do mistério aponta para dentro". Muito tempo se passara desde Talles, e durante toda a longa caminhada pela evolução do pensamento humano, muitas almas gastaram até o último traço de vida buscando saber de onde viemos, para onde vamos, se existe mesmo um Deus e se a nossa alma pode ou não ser imortal. Todo o mistério de nossa razão e dos nossos sentidos, no que crer primeiro? Haverão idéias inatas? E sobre o bem e o mal? Mas então nos deparamos com este romântico que nos diz onde encontrar todas estas respostas: Novalis "quebra a nossa cara" quando diz que todo o mistério do mundo pode ser vivenciado se "mergulharmos" dentro de nós. Todo o universo e até mesmo Deus nunca deixou de estar dentro de nós, porque somos um pedaço da grande criação, e desta forma, uma construção eterna. Fiquei feliz quando li isso hoje pela manhã, não tive outra escolha senão me lembrar deste blog...

Mas toda a despreocupação com o mundo como um todo, todo o esquecimento para com o curso da humanidade e toda a exaltação da arte em detrimento de qualquer outra coisa foram motivos suficientes para deixar um alemão do século XIX completamente "revoltado". É neste momento que surge Hegel e a sua dialética: é o curso da história que determina o que é o certo e mais racional, ou seja, pelas linhas deste homem, só é viável o que for racional.

A história de toda a filosofia parece brincadeira nas mãos deste incrível cérebro, é uma grande diversão seguir seus passos. Onde existir algum fato que de alguma forma tenha levado a outro, fazendo com que os dois se tornem uma verdade e algo concreto para todos, lá estará Hegel para aplaudir. Mas é somente com a ajuda da sua total compreensão dos fatos que passamos a perceber o quanto a história pode mesmo nos dizer muito do que perguntamos. Apenas observando a evolução do pensamento, podemos concluir que nenhum escrito filosófico está certo ou errado, ele deve sempre ser julgado de acordo com a época em que foi escrito, caso contrário, não faria sentido tanta especulação sobre as mesmas coisas durante tantos anos.

A verdade é que estamos todos nós presos a toda a história da humanidade, não importa quando nascemos, todos nós somos herdeiros de tudo o que já se escreveu, pintou, postulou ou compôs por aqui... Todos os dias, quando levantas teu corpo de tua cama, estás carregando milhares de anos contigo, nas tuas costas, as marcas dos erros que grandes homens cometeram para que hoje, fosse possível saber a melhor forma de agir. Somos frutos da nossa história, somos filhos do nosso meio, e portanto, temos que decidir o que vamos deixar para os nossos filhos. Também é por estas razões, que continuo a afirmar que "amo o nosso tempo". Porque tudo o que está em nossas mãos hoje, teve que passar pelo grande olho crítico da História, e hoje podemos abraçá-la e decidir então, as "verdades históricas" que seguirão conosco e as que deixaremos para trás...

Mas e se o tempo e o espaço existem apenas dentro da nossa consciência? E se lá fora o mundo é apenas mundo e não se sente diminuído por isso? Já parou para pensar que tudo o que te cerca não é obrigatoriamente como podemos enxergar com nossos olhos? Um pouco de Física Moderna talvez iria ajudar. Até quando podemos confiar nos nossos sentidos? E a nossa razão pode ser senhora de nossas vidas até que ponto?

Nossa vida começa quando passamos a armazenar impressões das coisas que sentimos. A partir disto, temos uma dura escolha a fazer: ou nos habituamos com o mundo de forma geral e nos tornamos escravos deste "tempo/espaço" ou, passamos a nos libertar das amarras do mundo dos sentidos, onde a natureza nos escraviza, e passamos a usufruir de toda a nossa liberdade em quanto seres racionais. Fazendo uso da nossa razão, enquanto lei da própria natureza, poderemos experimentar o que realmente é ser livre. Porque é essa a nossa função no mundo, em uma grande escala, somos nós que devemos organizar a "casa" e repensar tudo. E isto torna-se possível, somente do ponto de vista da eternidade!

Tu és capaz de em um piscar de olhos sentir de uma só vez "TUDO"? Ter o universo todo dentro de ti, estar em todos os lugares e ver todas as pessoas de uma só vez? Consegues segurar a eternidade nas tuas mãos por pelo menos um segundo? Não deixa o tempo te tirar os sapatos, nem o espaço te levar a lucidez. Esquece as pessoas. Enclausura-te na tua razão: sê plenamente livre.

- Uma flor azul para você! Basta tentar sempre colhê-la.


terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Talvez o método tenha quer mudado. Parece que alguns leitores tem mesmo "medo" de postar... Mas eu não terei medo de continuar, porque afinal, não vai mudar muita coisa mesmo.
Continuo agradecendo os comentários pessoais e os "debates".
Mas nas próximas postagens, vou ser mais objetiva: nada de crônicas, e sim "denúncias" sobre assuntos de certa forma polêmicos. E pelo que vejo, a maioria tem um certo interesse nestas "conspirações", que pode então vir a ser aumentado com informações mais precisas e verdadeiras.

Continue pensando:
"Se és incapaz de sonhar, nasceste velho. Se o teu sonho te impede de agir segundo as realidades, nasceste inútil; se porém sabes transformar sonhos em realidade que encontram com a luz do teu sonho, então serás grande na tua pátria e a tua pátria será grande em ti." - Plínio Salgado.

Encontro-lhes em breve.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Explicando a tentativa de conversa.

Atendendo a alguns questionamentos e intrigantes perguntas, venho aqui, agora, "explicar" alguns pontos da última postagem e também o nome do blog.

Primeiramente, "Campo de Água", o que seria?

A idéia do nome veio do último álbum de uma banda francesa de Dark Metal que gosto muito, The Old Dead Tree, a capa do referido álbum é a imagem que está postada aqui no blog. No referido álbum, e principalmente na música que lhe dá nome, "The Water Fields", o frontman da banda usa a expressão para falar aos fãs, supostamente, de sua homossexualidade. Mas ele vai mais além, um campo de água é algo que todos tem dentro de si, e por isso mesmo, todos deveriam mergulhar nele de vez em quando, buscando se conhecer melhor. Seguindo por minhas próprias interpretaçãos, é uma busca por algo que você realmente queira, que tem de estar dentro de você, neste caso, conhecimento. E por isso, o convite à filosofia.

E citando este trecho da música, também posso entrar na próxima questão:

"Set your mind at rest my child,
Feel free to cry, feel free to sob...
And I dig, deeper and deeper...
Into the water fields... So deep!"

"Cavando", ou então, "mergulhando" dentro dos campos de água é que podemos encontrar a "liberdade", o "sentir-se livre" de verdade. É nisso que me referi na última postagem, afirmando que não é a felicidade que todos buscamos, mas sim a liberdade. Posso usar como exemplo mais sólido, a corrente filosófica dos Cínicos, que acreditavam que a verdadeira felicidade seria alcançada somente quando o ser humano fosse capaz de se desligar de todos os conceitos terrenos e de todas as efemeridades da vida. Assim, ele seria livre o bastante para se permitir "ser feliz" sem escrúpulos. E que esta felicidade, depois de ser alcançada, jamais poderia ser perdida, sendo eternamente completa, livre.

Explicando melhor, a felicidade é algo de momento, ela não pode ser completa por si só, ela precisa de alguém que a faça possível no seu interior, e para isso, a almejada felicidade, necessita tão seriamente, de seres humanos livres. Conclusão: O bem maior para a conquista da real felicidade é sim, a liberdade.

Foi mergulhando dentro dos seus campos de água, que o autor desta música pôde se descobrir sexualmente. E é este o convite que fiz em minha primeira postagem, um convite para uma igual "libertação", mas claro, cada um a seu gosto, meu objetivo aqui não é fazer as pessoas mudarem sua opção sexual... Mas sim, se conhecerem melhor, mergulharem dentro de si mesmas, conhecerem o seu campo de água, fazendo disso, um sentimento que "preenche", que completa, que liberta.

Como falei na primeira postagem: "Buscaremos um mergulho profundo a procura das coisas de máximo valor, em busca da essência das essências". Cada um tem o seu livre poder de interpretação, a capacidade de se permitir, de vir até aqui e colaboar comigo, ou melhor, colaborar consigo mesmo, postando "sem limites de caracteres", permitindo-se.

Uma outra questão que, acho que posso dizer isso, resultou em uma pequena "polêmica", foi a seguinte passagem:
"Acredito que todos passamos pelas mesmas experiências na vida, sem exceção. A diferença, é a 'velocidade da reação' e o tamanho do 'componente' memória."

Quando fiz uso destas palavras, é claro que eu estava me referindo de uma maneira bem geral, mas sendo bem objetiva, vou me explicar: acredito que todos nascemos em alguma espécie de família, começamos a frequentar uma escola e passamos, paulatinamente, a se relacionar com pessoas, e estas pessoas, com estas mesmas experiências que nós. Todos já tivemos algum tipo de decepção na vida, como também, algo que nos fez sentir felizes ou especiais.

Mas é aí que quero "mergulhar", pensando desta forma, podemos ver que todos nós passamos pelas mesmas coisas! Todos nós sentimos as mesmas coisas, as experiências em sua essência são as mesmas! Mas a diferença, a cruel diferença, que nos faz pessoas tão distintas ao redor de todo o planeta, é a maneira com que cada um reage diante do mundo, se posiciona diante dos pais, da escola, dos amigos.

Me responda, então, até onde você é capaz de levar uma mágoa da infância? Até onde você é capaz de se automotivar com alguma conquista sua? E a sua memória, até onde ela pode te ajudar ou atrapalhar? Você esquece fácil quando alguém te magoa? Quando alguém te trai? Você é capaz de se "libertar" destas manchas e seguir em frente todos os dias? Todos nós já nos deparamos com mentiras, com situações "desagradáveis", concorda, não é? Sim, a diferença é o quanto cada pequena ação externa pode mudar o seu interior! O quanto o que você ouve e vê das outras pessoas pode mudar o que você pensa e suas opiniões. E é isso que faz você ser quem você é, não as "cenas" a que você tem presenciado ao decorrer dos seus dias.

A diferença também é, o quanto você exercita o seu poder de reflexão e o quanto você permite que isso mude a sua vida, aos poucos. Todos nós já nos decepcionamos com o "primeiro amor", já tiramos alguma nota "esperada" no colégio, seja ela boa ou ruim, já fizemos amigos e já perdemos também. Enfim, eu poderia citar "n" cenas comuns a todos, e principalmente, eu poderia, e devo, citar a morte, esta sim, todos sabemos, é a nossa "herança gélida", a certeira, a indiscutível. Ao final de tudo, o que verdadeiramente temos conosco, são as nossas impressões e visões do mundo, tudo o que a nossa razão, juntamente com o poder dos nossos sentidos, puderam instigar em mudanças durante nossa estada por estes "mundos" dentro de um mesmo planeta, e eu não posso deixar de dizer isto, pequeno.

Agradeço a atenção e a dedicação de todos. Se alguém se interessar pela corrente filosófica que citei, na qual me fudamento para toda a questão da liberdade, peço que me contacte. Espero que eu tenha conseguido me expressar bem, e se ainda ficar algo por "discutir", sinto-me tentada a convidá-lo "para uma xícara de café", sim, um mergulho bem pode ser expandido de vez em quando. Espero, também, vê-los por aqui ainda mais. E por último, espero que as pessoas que me motivaram a "explicar" o último texto voltem a dar seus pareceres.

- E Que os mergulhos possam ser cada vez mais profundos!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Eu só estava tentando conversar, fragmentos das tentativas, apenas.

Não, eu não consigo passar mais um dia sem me preocupar. Mas parece tão fácil... Só que não é. Eu não consigo passar mais um dia sem me importar. É que eu não consigo andar sem as minhas muletas. Você quer algumas emprestadas? Eu posso tentar conseguir. Eu posso, também, tentar travar um diálogo com você, mas eu sempre vou acabar gritando no final e você vai sempre sair decepcionado.

É verdade que tudo na vida tem que ser especial. Mas e a vida, em tudo, tem que ser o quê? O futuro é algo que me impressiona tanto... E só porque eu não quero mais impressionar ninguém com palavras cultas e observações regadas a intelectualidade, eu só queria que o futuro pudesse impressionar a todos também.

E quando você não sabe o que vai acontecer, você faz o quê? Você espera pra ver, você reza pra quem sabe ajudar, ou você ri fingindo nem saber? Ou pior, e quando você já sabe o que vai acontecer? Não é mesmo bem pior? Será possível ainda calcular mais alguma coisa? Decidir mais algum detalhe que fugiu do que era pra ser a última revisão?

(...)

Eu só peço pra que você se prenda a poucas coisas nesta vida. Não segure as pessoas, não chame de "seu" os lugares. Estão errados aqueles que pensam que todos nós permanecemos no mundo para encontrar algo chamado "felicidade". Equívoco grande: é a liberdade que todos nós tanto desejamos.

Mas se ainda assim você sentir uma vontade forte de se agarrar a alguma coisa, escolha, pois, a sua consciência. Alimente-a todos os dias e a torne senhora das suas escolhas. Não perca jamais a sua capacidade de se admirar com as coisas. Que você seja capaz de acordar todos os dias vestindo o mesmo pijama, ou aquelas suas meias desbotadas. Que você seja capaz de, acordando, olhar sempre para a face da mesma pessoa, ou o teto com a pintura descascada, e que nada, (jamais!) lhe pareça "igual". Que nada fuja do seu lhar crítico. Que você possa sempre discernir o que acha que é certo do que você tem certeza que não presta. Ou então prestaria demais. Você me entende.

Eu não tenho medo do meu fanatismo, não me envergonho de chegar até os limites do que uma "opinião" pode arrematar. E é justamente por isso que a minha voz nunca será calada por quem em nada neste mundo tem o prazer de derramar um pouco do seu tempo e fazer transbordar o campo de água de si. Eu vou sempre empregar esforços para defender aquilo que acredito, não importa o quanto em vão isso pareça.

Só que, amigo, às vezes eu acho que Aristóteles tinha razão mesmo: a moderação faz bem aos seres humanos. Você não pode estar em todos os lugares que desejaria ao mesmo tempo, e isso quase sempre faz de você um derrotado. Escolha um palco de cada vez, e torça, pra que quando chegar a sua cena favorita, você ainda tenha forças pra respirar.

(...)

Até que ponto as origens podem influenciar uma pessoa? Você saberia me dizer? Eu tenho lá as minhas dúvidas. Você ama alguma coisa, digo, alguma "coisa" mesmo, nada daquele amor que sim, todos nós sentimos, falo de amar algo concreto, ama? Eu amo a música. E para mim ela parece ser a "coisa" mais concreta. Ela é como um vaso que nunca enche até a borda, mas que quando você mergulha nele, pode ter certeza, ele vai transbordar por inteiro.

E se o tempo tivesse sido mais generoso comigo? E se eu tivesse sido mais "durona"? Você aceita tudo o que fez até hoje? Cansei de procurar as soluções fora de mim. E claro, cansei disto porque eu nunca as encontrava, e nem poderia. "Aprender" é um processo parecido com compor, você não sabe que sabe, mas precisa aprender a saber como fazer para aquilo tudo sair de dentro de você de modo que você sinta que sabe o que já sabia.

(...)

Ah, eu não quero nunca deixar de sonhar. Eu não peço a Deus amores, nem sabedoria, tão pouco aquela tal de "malandragem". Eu peço sim, sonhos. Que eles possam sempre encontrar morada sossegada dentro do meu peito. E que se eu fizer por merecer, que eles possam dar um salto e voar, sair voando, sabe?... Mas comigo dentro deles, ou eles dentro de mim.

Quero sempre ver a luz dos teus olhos amigo, quando falares olha mesmo pra mim, que é assim mesmo que eu gosto. Ouvi dizer que isso é uma virtude, pra mim é o básico. Mas lembre-se, nada de lentes fotográficas, só se eu puder ficar atrás delas.

Quando quiser companhia pra fazer algo "diferente", ah... É claro que pode me chamar. Quero mesmo ser diferente. E me ajuda a encher a minha cabeça, não me deixe ficar com muito tempo de sobra, eu gosto de pensar, seja lá no que for.

Acredito que todos passamos pelas mesmas experiências na vida, sem exceção. A diferença, é a "velocidade da reação" e o tamanho do "componente" memória.

(...)

E como disse Sócrates, mas com palavras um bocado diferentes, eu quero ser sempre um mosquito atrevido importunando nas ancas da velha égua Atenas, não quero deixar que ela se sente mais uma vez. Tomei um gosto muito grande por desafios... Você pode sentir isso? Pode sentir o seu sangue correndo pelas veias? Isso se chama liberdade.

Mas eu vou seguir implorando por uma chance. Eu não vou descansar até poder realmente fazer uso da minha voz. Há de existir uma força maior que me sustente. E não é por mim, eu ainda vou descobrir por quem é.

Enfim, queria dizer que eu amo muitas coisas aqui. Eu amo isso tudo que tenho nas mãos agora. E mais aquilo tudo que já perdi. Eu amo o que ainda, pelo menos, posso recordar. Eu amo o tempo, senhores. Eu amo o nosso tempo.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Em um dia muito especial inauguro este meu blog. Onde as promessas foram cumpridas e os designos foram confirmados, onde o futuro se mostra próximo e os sonhos se enchem de uma alegria poderosa. Espero a sua visita. Espero que este amontoado de informações possa lhe ser útil, ou mais, que possa também lhe tocar de alguma forma.
Aqui, em "Campos de Água", a verdade mostra-se mais clara. Buscaremos um mergulho profundo a procura das coisas de máximo valor, em busca da essência das essências. Esperando, encontrar:
O prazer pela arte em geral, a História e a Filosofia, o prazer belo bem supremo: a Vida.
Um ótimo mergulho!