segunda-feira, 23 de março de 2009

Informal, pensamentos assim.

O que você precisa para acordar todos os dias? Precisa de algo que possa te despertar? Um despertador que toque uma música de seu gosto a cada cinco minutos, a voz da sua mãe com aquela freqüência estridente irritando logo cedo o seu ouvido, ou você ainda tem algum recurso? Como você se levanta todos os dias? O que você precisa para ACORDAR todos os dias?

Acho que às vezes um belo soco de esquerda pode ser aproveitável, mas ele tem que te jogar longe, tem que te fazer levantar da cama, e depois da cadeira em frente a mesa do café, e depois, ainda, do sofá em frente a televisão. Tem que ser um soco que te faça sair de casa percebendo isso, falo informalmente, porque é assim que é, um soco, só pode ser informal.

Também seria melhor se todos na rua vissem a marca roxa e informal na tua cara, mas não a vergonha nela: somente a honra informal. Decides sair de casa para laborar mesmo depois de um golpe certeiro, é um ato digno de apreço. Um homem que acorda e assim segue movido pelo mesmo combustível.

Este homem pode pensar sobre o que aconteceu com ele logo pela manhã, mas certamente ele não quer fazer isso logo agora que o sol está nascendo de uma maneira tão bonita e diferente no rio da cidade. Ele sente a sua sensibilidade. E depois, aquela velha e forte náusea, de culpa, uma dolorosa culpa, por ter se conformado por tanto e tanto tempo.

A náusea o remete para memórias, não de ignorância, onde deixou passar as melhores oportunidades, mas o conformismo que o fazia achar que tudo estava bem assim como estava. Esta náusea quase o leva ao chão. É um aperto muito forte que ele sente e isso quase o deixa sem ar, a pedra que sente carregar dentro dele por tantos anos, parece ser mais dura do que ele sentia, talvez porque o verdadeiro peso da rocha ali incrustada em seu peito, eram os seus próximos quem tinham de carregar. Mas isso tudo, é muito informal.

Prefere se sentar. Afinal, foi tudo o que fez até ali, é este o legado que tem para os seus filhos, porque enquanto batia o seu cartão na empresa em que assinou a sua carteira, de nada a sua essência humana lhe serviu. De nada os seus sentidos puderam lhe dar uma visão melhor, e as paixões dentro dele, de nada puderam lhe dar uma vida melhor, ou mais feliz, como queira a informalidade.

Mas deve ser um homem forte, este. Por todos os seus dias, conseguiu sustentar a imagem a qual todos queriam ver, sim! A sua mediocridade foi capaz de lhe dar a máscara certa, e claro, ele soube atuar muito bem. O problema mesmo, é que sempre se sentiu orgulhoso quanto a isso, tinha o controle das coisas em suas mãos, o sorriso era forçado, o abraço era de longe, mas tudo ele podia controlar e conduzir, convencendo a todos da felicidade que os cercava.

O tempo deve ser mesmo o soco mais forte de todos, o mais informal, o mais doloroso. Sorte, que ele atinge de uma vez só, assim como a este homem. Informalmente, como foi toda a sua vida, no canto da platéia, na porta da igreja, no fundo da sala, sorrindo à mesa, assim, bem informalmente, o tempo lhe trouxe a sua cartada final. Não a carta de um curinga, mas um baralho todo de lamentações.

Há homens que vêm ao mundo para trabalhar. E assim, por trabalhar, garantir o curso da história e do consumo humano, tudo o que precisamos para satisfazer nossas necessidades, e nossos sentidos e desejos. Estes homens seguem erguendo o muro e não deixando com que a desorganização tome conta do globo, são vistos por todos como bons operários, e de fato o são, em sua maioria.

Outros dignos homens, vêm ao mundo com toda a sorte de inteligência, a sua razão lhes permite criar coisas novas e espetaculares, que aos poucos vão enchendo as nossas prateleiras em todo o planeta. A pena é que ainda não inventaram nada que pudesse frear a mesquinharia humana. Mas eles sabem do que todos precisam, e usam seus cérebros para tornar a nossa existência por vezes mais fácil e acessível, e por outras mais alegres e distraídas. São estes homens que conduzem a nossa superioridade enquanto seres pensantes.

Mas os outros, estes não sabem muito o que fazer. Na verdade, não sabem como fazer ou por que fazer. Ou viverão sufocados e perturbados tentando se encaixar, ou se entregarão ao seu ofício: vão se sentar, e apenas SENTIR o mundo.

Preserve a sua sensibilidade. Sinta-a da maneira que você considera mais forte. Louve a sua individualidade. Porque nenhum ser humano tem a voz igual à de outro, por isso, encontre a sua voz! Seja um destes “tipos” de homem, mas honre a sua posição, ou então invente outros novos tipos. Não deixe a informalidade lhe dominar o cristalino, coloque lá a honra de um soco certeiro envolta do teu olho preferido, e sai amigo, sai... Vai ver o mundo! Vai te achar nele! Procura a tua voz, semeia a tua voz, e canta com ela! Serve com ela! Louva com ela! Mas não desiste. Porque eu, eu já encontrei a minha.

Um comentário:

  1. Concordo com o que foi dito no seu texto
    Acrescentaria algo a mais no texto
    A pessoa só muda por vontade própria, não adianta os outros tentarem forçar ela a mudar, às vezes funciona, outras não.

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